Digital networks and screen media have the power to make the world seem much smaller. But when it comes to certain life-changing transformations, they’re no match for face-to-face.
Susan Pinker, The Village Effect: Why Face-to-face Contacts Matters
É curioso o facto de no mundo desenvolvido em geral, as mulheres viverem em média mais seis a oito anos do que os homens, mas a psicóloga canadiana Susan Pinker descobriu que há um lugar no mundo, em Villagrande, na ilha italiana da Sardenha, onde a esperança de vida dos seus cerca de 3000 habitantes não só é igual para os dois sexos, como existem dez vezes mais centenários do que em toda a América do Norte.
Intrigada, decidiu estudar quer os aspectos científicos, quer os hábitos de vida do lugar. Começando pelo perfil genético, descobriu que só concorre em 25% para este resultado, os restantes 75% relacionam-se com o estilo de vida. Depois considerou a possibilidade de poder depender de uma atitude positiva e de um temperamento alegre, mas ao entrevistar alguns dos centenários verificou que nem sempre eram pessoas prazenteiras. Por outro lado, observando os seus hábitos alimentares, constatou que a dieta (rica em massas e molhos) também não deveria estar na origem da longevidade. Ao tentar perceber qual seria o fator mais decisivo encontrou um estudo universitário americano que investigara, justamente, os índices que influenciam a longevidade, e que registara e analisara todos os aspectos relacionados com o estilo de vida de milhares de pessoas de meia-idade, ao longo de sete anos. Os resultados são surpreendentes, desde o indicador menos influente: o ar que respiramos, passando por aquilo que temos por decisivo, como uma alimentação regrada e o exercício físico, que afinal apenas contribuem moderadamente para vivermos mais tempo, chegando ao mais influente: as relações sociais, o quanto interagimos diariamente, e que tanto pode ser com quem nos está próximo afectivamente, como com aqueles que contactamos de passagem.
Pelo isolamento e pelo traçado da cidade – uma intrincada estrutura onde as casas se amontoam –, em Villagrande as pessoas vivem ainda com uma proximidade típica das vilas medievais. Resultado: todos se conhecem e se entreajudam. Ali tudo gira à volta da família, e dentro de cada família à volta dos mais velhos, os quais são considerados o centro da comunidade. Tratados com todas as deferências, nunca estão sós: familiares, amigos, vizinhos, vão passando, vão entrando, vão conversando, constantemente. Muito provavelmente, o segredo que mantém os moradores da ilha saudáveis dependerá exactamente da importância que os seus habitantes dão às relações pessoais e às interações cara-a-cara.
A evolução ditou-nos outros rumos. Ainda encontramos esta proximidade física nas aldeias rurais, mas não o respeito e a preocupação pelos mais velhos, que nas aldeias como na cidade acabam entregues a eles próprios, quando os mais novos partem em debandada. A família desagregou-se. É cada vez mais raro encontrar membros da família nuclear a viverem na mesma cidade, e podemos dar-nos por felizes enquanto os filhos ainda vivem no nosso país. O centro das atenções, com todos os direitos que, voluntária ou involuntariamente, lhe atribuímos, passou a ser privilégio de uma geração juvenil, para a qual o maior incentivo é o poder de compra, e o know-howque mais valoriza é o das novas tecnologias...! A solidão, muitas vezes emparceirada com a depressão, tornou-se um problema epidémico no mundo civilizado, começando a manifestar-se cada vez mais cedo (as crianças de hoje são super estimuladas pelo meio onde crescem, mas sofrem pela falta de atenção de pais emocionalmente pouco disponíveis), e com contornos de flagelo à medida que se envelhece. Iremos no bom caminho?
Sem comentários:
Enviar um comentário