quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Agosto Calendário ArtEdit 2018


Agosto 2018 O fio da vida

We’re all here by a thread, but it’s a very strong, eternal thread (…)
Our challenge is not to question why this is so, but to find the thread and hold on to it. Our challenge is not to choose between the fragility and strength of life but to cultivate our wonder by holding both in our heart. Life is fragile and unbreakable. We teeter and we soar, often at the same time. Wonder helps us find the indestructible part of the thread.
Mark Nepo The one life we are given  

Chega um momento em que nos consciencializamos de que, do princípio ao fim, estamos ligados à vida por um simples fio, cuja fragilidade, tensão, resistência depende de estados de alma, que nos enfraquecem ou fortalecem a imunidade, que por seu turno nos protege a saúde. 
Cada vez mais se fala nesta relação directa entre felicidade, bem estar, realização pessoal, e a qualidade da saúde, pelo que não é difícil visualizar o fio que nos liga à vida, consistente e resistente, quando nos sentimos bem e em harmonia, tenso e pronto a ceder, quando estamos a viver sob pressão, um fio frouxo, quando nos sentimos apáticos e sem energia, um fio ultra-frágil, quando adoecemos, e que, eventualmente, se não for possível reverter a situação, pode acabar na ruptura.

Vivemos numa época doentiamente narcísica, com espelhos a mais e selfies a mais, numa patética necessidade não de olharmos para nós, mas de impressionarmos os outros com o que queremos aparentar ser. Mas por trás de fachadas de conveniência, de vidas aparentemente exuberantes e bem sucedidas, escondem-se muitas vezes insuspeitados dramas, envergonhadas fraquezas, problemas que se arrastam no silêncio dos bastidores, um acumular de tristeza, angústia, impotência ou desalento, que corrói e se avoluma até se tornar asfixiante, transformando-se muitas vezes nas doenças ou mortes inesperadas, com que cada vez mais somos surpreendidos. Talvez se se vivesse numa sociedade mais honesta, e mais generosa, que acolhesse com igual naturalidade e calor os aspectos mais luminosos e os mais sombrios que coabitam em cada um de nós, fosse possível inverter a tendência. 

Nem sempre existe escolha, pelo que nem tudo depende da intenção. No fundo, nesta vida, que é a única que temos, o que todos queremos é poder esperar e sonhar até ao fim, se possível felizes e saudáveis. Mas entretanto precisamos de aprender a ignorar modelos de vida mais das vezes fictícios e padrões de perfeição virtuais, para assumirmos à luz do dia as nossas fragilidades que complementam a nossa força, focando-nos no essencial: segurar convictamente o nosso fio condutor, e abrir espaço no tempo para cultivar o encanto da vida, que está ao alcance de todos, e se revela nas pequenas coisas. 

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