terça-feira, 8 de maio de 2018

Maio . Calendário ArtEdit 2018


Maio 2018 . Elogio da diferença


Any intelligent fool can make things bigger and more complex... it takes a touch of genius – and a lot of courage to move in the opposite direction.
                                                               
                                                                                    E. F. Schumacher Small is beautiful


Querer ser apreciado, reconhecido, aceite e enturmado é comum a todos, afinal o sentimento de pertença está enraizado na nossa natureza. O segredo do sucesso das redes sociais reside precisamente nesta possibilidade de todos se poderem mostrar, para poderem ser avaliados e eventualmente (desejavelmente) louvados, apreciados, reconhecidos, aceites... A questão que se coloca é até onde estaremos dispostos a fazer concessões para ir ao encontro dos outros, de critérios padronizados, modas e gostos colectivos, escolhendo caminhos mais garantidos, ou, pelo contrário, até quando teremos coragem de nos manter fieis a nós mesmos, à nossa individualidade, sabendo que nos estamos linearmente a afastar do circuito, provavelmente a autoexcluir do sistema e até da sociedade, e que nos espera uma travessia muito solitária. Todos os artistas cuja sensibilidade não foi permeável a influências, nem se deixaram tentar por promessas de sucessos fáceis, sabem do que falo.

Na senda da visibilidade, a diferença pelo exótico, pelo absurdo, pelo chocante pode ser uma forma de chamar a atenção, e proliferam os que optam por este meio para se tentarem afirmar ou pelo menos firmar! Não acrescentam, geralmente, beleza, paz ou inspiração ao mundo. Mas mais comummente escolhe-se  o caminho fácil, seguem-se as influências, trilham-se caminhos já explorados e testados, e de repente surge uma multidão em tudo idêntica, que usa os mesmos meios, da mesma forma, e que, para se tentar distinguir, sobe progressivamente o tom. Resumindo: temos hoje um mundo onde todos gritam e ninguém os ouve. Somos literalmente agredidos com chamadas de atenção que, visualmente e sonoramente, a partir de certa altura, causam mais desgaste do que impacto.

Num minúsculo nicho à escala global, encontramos os que assumem a sua diferença de uma forma singular e genuína, são os que provavelmente nunca terão qualquer reconhecimento, mas também não buscam notoriedade, gostariam simplesmente de ser aceites, para poderem continuar o seu trabalho. Idealmente invisíveis por trás da visibilidade do que produzem. E o mundo precisa urgentemente e desesperadamente dessa diferença: a contra-corrente do barulho, da confusão, da uniformidade; a multiplicidade vs a multiplicação; o acarinhar vs o idolatrar; o direito à diferença, sem implicar ser catapultado para um cenário onde, justamente, nunca se quis pertencer. Importa manter a escala porque é o garante da independência, que permite enaltecer a poesia e a beleza, no seu estado mais simples e puro, em prol de uma linguagem emocional universal, que nos pode dar segurança, paz, harmonia, e a inspiração de que tanto e todos precisamos.