quinta-feira, 6 de julho de 2017

Sobre a vergonha e a empatia, sobre a empatia e a compaixão



A compaixão não é uma relação entre quem cura e quem está ferido. É uma relação entre iguais. Precisamos de conhecer bem a nossa escuridão para podermos estar presentes na escuridão dos outros. A compaixão torna-se autêntica quando reconhecemos a nossa humanidade partilhada.
Pema Chödrön


Como explicou Brené Brown, que tem dedicado a sua vida a investigar esta matéria, a vulnerabilidade tutela todas as fragilidades humanas. Não só o medo e a vergonha, que nos tornam inseguros, mas também o amor, a coragem, a esperança, a empatia, os sentimentos que nos dão segurança.

Nos antípodas do medo e da vergonha – que estão ligados a um sentimento de culpa, que convida ao recolhimento e ao silêncio –, encontra-se a empatia, que incentiva a expressão, funcionando como uma ponte que rompe o silêncio, estabelece a comunicação, e tem o poder imenso de resgatar do isolamento (in)confessado a que estes sentimentos (medo e vergonha) nos remetem.

O entendimento que gera a empatia surge espontaneamente, quer através da partilha de experiências comuns, quer por se comungar de pré-disposições como a sensibilidade, inteligência, humor, que podem despoletar afinidades imprevisíveis.

Mas se para a empatia basta reconhecer alguém que entoa a nossa canção,  já a compaixão é um capítulo muito mais complexo e exigente.

A compaixão, tal como explica Pema Chödrön, pressupõe não só ter passado por uma experiência idêntica, tendo conseguido, ou talvez não, ultrapassar o problema, como também dispor-se a ouvir a história do outro sem qualquer preconceito, sem qualquer julgamento.

Implícito na compaixão está uma dupla vulnerabilidade (com tudo o que esta pode representar de insegurança/ vergonha/ coragem), a de quem conta a sua história, e a de quem se dispõe a ouvi-la.

Maio, Calendário Art Edit 2017

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