A compaixão não é uma relação entre quem cura e quem está ferido. É uma
relação entre iguais. Precisamos de conhecer bem a nossa escuridão para
podermos estar presentes na escuridão dos outros. A compaixão torna-se
autêntica quando reconhecemos a nossa humanidade partilhada.
Pema Chödrön
Como explicou Brené Brown, que tem dedicado a sua vida a
investigar esta matéria, a vulnerabilidade tutela todas as fragilidades
humanas. Não só o medo e a vergonha, que nos tornam inseguros, mas também o
amor, a coragem, a esperança, a empatia, os sentimentos que nos dão segurança.
Nos antípodas do medo e da vergonha – que estão ligados a
um sentimento de culpa, que convida ao recolhimento e ao silêncio –,
encontra-se a empatia, que incentiva a expressão, funcionando como uma ponte
que rompe o silêncio, estabelece a comunicação, e tem o poder imenso de
resgatar do isolamento (in)confessado a que estes sentimentos (medo e vergonha)
nos remetem.
O entendimento que gera a empatia surge espontaneamente,
quer através da partilha de experiências comuns, quer por se comungar de
pré-disposições como a sensibilidade, inteligência, humor, que podem despoletar
afinidades imprevisíveis.
Mas se para a empatia basta reconhecer alguém que entoa a
nossa canção, já a compaixão é um
capítulo muito mais complexo e exigente.
A compaixão, tal como explica Pema Chödrön, pressupõe não só ter passado por uma experiência
idêntica, tendo conseguido, ou talvez não, ultrapassar o problema, como também
dispor-se a ouvir a história do outro sem qualquer preconceito, sem qualquer
julgamento.
Implícito na compaixão está uma dupla vulnerabilidade
(com tudo o que esta pode representar de insegurança/ vergonha/ coragem), a de
quem conta a sua história, e a de quem se dispõe a ouvi-la.
Maio, Calendário Art Edit 2017
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