O amor é o que
nasce connosco. O medo é o que aprendemos. A viagem espiritual pressupõe uma
desaprendizagem do medo e dos preconceitos e a aceitação do amor de volta ao
nosso coração.
Marianne
Williamson
Nascemos com
amor-próprio, mas cedo aprendemos o que significa o medo, a vergonha, a
insegurança de não corresponder ao que se espera de nós. A auto-confiança, que
é o antídoto destes sentimentos, está directamente dependente da apresentação
de resultados, e se a pré-disposição genética é uma vantagem, o enquadramento
não é menos importante.
Temos uma sociedade cada
vez mais competitiva. A perfeição é a fasquia. A comparação é o incentivo. Quem
ganha é óptimo, quem perde não é suficientemente bom. Como os óptimos são as
exceções, a mensagem para a maioria é de que não está à altura das
expectativas. Logo, o resultado é, na melhor das hipóteses, a insatisfação ou,
na pior, a frustração e a baixa-estima.
Tudo isto é incutido nos
primeiros anos. Na idade em que as crianças deviam simplesmente brincar, e a
brincar aprender a conviver e a enquadrar-se no ambiente – tão simples, tão
importante e tão pouco valorizado quanto isto –, estão já a ser «massacradas» e
avaliadas com letras, números e outros conceitos abstractos. Resultado: na
idade em que deviam estar a forjar o carácter, que está tão associado à
auto-estima, desenvolvem medos, vergonhas e inseguranças, feridas e cicatrizes
que vão perdurar pela vida fora.
Com o tempo aprende-se a
controlar estas e outras emoções, a criar carapaças de protecção e estratégias
que deem a sensação de autossuficiência. Mas é preciso (matur)idade para
perceber que o modelo de perfeição que nos guiou e nos atormentou é absurdo,
que todos temos fragilidades, com as quais alguns lidam melhor do que outros.
Somos o que somos, e fazemos e fizemos, o que soubemos e pudemos. Ponto. Só
depois desta constatação estaremos finalmente aptos a regenerar feridas
antigas, capazes de descodificar o medo, a vergonha e a insegurança, de
regresso ao amor.
Curiosamente, quanto
mais aprofundamos o que quer que seja, mais nos apercebemos do pouco que
sabemos. E, sobretudo, mais importante do que as certezas que vamos adquirindo,
compreendemos que haverá sempre mistérios por desvendar.
Aprendemos,
literalmente, até morrer, e quanto mais velhos, mais capacidade temos de
«apreender». É certo que a sociedade não valoriza esta bagagem, mas isso é
outra conversa. Libertarmo-nos do julgamento alheio, e proceder por nós e para
nós, faz parte da aprendizagem.
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