Alguém disse que sábio
não é aquele que acumula conhecimentos, mas aquele usa eficazmente aquilo que
aprendeu.
Precisamos de tempo e
experiência, para desaprender muito do que tínhamos por certo e compreender o
essencial.
Essencial é distinguir o
que nos traz benefício, do que nos intoxica ou não nos acrescenta nada, o que
vale para tudo o que nos envolve, desde as pessoas com quem nos relacionamos,
às actividades a que nos dedicamos, e ao espaço que habitamos.
Nem tudo o que vem a
mais nos faz «crescer» (excepção feita para o que comemos, claro...) e temos de
desmontar o conceito básico da nossa sociedade, que nos quer fazer crer que
tudo o que multiplicamos e acumulamos nos beneficia, ou, pior ainda, que a
nossa felicidade e segurança dependem directamente da capacidade de aquisição.
Na verdade precisamos de
muito pouco para vivermos bem. E satisfeitas as necessidades básicas, não é o
poder de compra que faz a diferença.
Precisamos antes de
mais, e acima de tudo, de saúde, que não tem preço, não depende da nossa
vontade, nem é um dado adquirido, como tendemos a considerar. Depois,
precisamos de um olhar limpo e de uma cabeça arrumada, para simplificar e
aligeirar a vida, o que implica uma selecção criteriosa, e coragem para nos
desapegarmos do que acumulámos, e onde depositámos uma falsa sensação de
segurança.
Quando se consegue
disciplinada e equilibradamente seleccionar, para depois descartar, – e deste
modo chegar ao que valorizamos em função do que somos, do que precisamos, do
que nos faz bem –, compreende-se que (contra-corrente de tudo o que nos é
instigado) menos pode ser, afinal, mais.
Uma vida organizada com
rigor e alguma austeridade, não só torna tudo mais leve, mais luminoso, e mais
fácil de articular, como permite apreciar com outro olhar, e redobrado prazer,
quem ou aquilo que, por qualquer motivo, utilitário ou emocional, é único e
especial para nós.
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