Em frente à minha janela
tenho uma oliveira centenária, milenária, ou mesmo intemporal. O tronco grosso,
imenso, retorcido deixa-nos imaginar o peso da sua idade. Para além da beleza
estética desta escultura natural, os sulcos da casca contam-nos histórias
infindáveis.
Não nasceu aqui. Nasceu,
firmou raízes, cresceu e envelheceu no campo, entre outras oliveiras. Quis o
destino que um dia, já muito velha, tenham decidido transplantá-la, com mil
cuidados para não lhe ofenderem a vida. Contra todas as expectativas, voltou a
firmar raízes, e aqui renasceu. Rebentos tenros num tronco velho e enrugado.
Enquanto há vida, há esperança! Lições simples, básicas, essenciais.
Há uma relação
incontornável entre a segurança – as raízes que nos amparam –, e o florescer,
essa manifestação de vida, de esperança, de alegria.
Num mundo cada vez mais
desregrado, e mais dominado pela insegurança, a felicidade passou a ser um
conceito especulativo. Sinto toda esta tão actual euforia, esta tão artificial
necessidade de alardear uma alegria mal contida – utilizando as redes sociais
para a extravasar –, como uma forma de atordoamento, como forma de se iludir,
iludindo o mundo. As raízes que deveriam enquadrar e firmar estarão porventura
flutuantes, mas aparentemente todos, ou muitos, pairam à superfície
esvoaçantes, numa festa inconsequente!
Nada disto é
consistente, porque falta chão. O aqui e agora é bonito, mas também precisamos
do ontem e sobretudo do amanhã. A alegria, a profunda e duradoura, depende do
encanto, o encanto está ligado à esperança, a esperança assenta na segurança. E
não há volta a dar.
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