J’ai reconnu le bonheur au bruit qu’il a fait en partant.
Jacques Prévert
Se há um objectivo onde todos nos reconhecemos é na procura da felicidade. Difícil de definir, a felicidade assume muitas vezes o rosto do que nos falta.
Na senda de respostas para questões pessoais, encontrei por acaso (se o acaso existe), errando numa livraria, o livro de Frédéric Lenoir, Du bonheur, un voyage philosophique, que veio, literalmente, ao meu encontro.
Abri-o aleatoriamente e li: «Sei por experiência que a procura da felicidade não é um caminho insensato, podemos ser mais felizes reflectindo sobre a vida, realizando um trabalho sobre nós próprios, aprendendo a fazer escolhas mais criteriosas, ou a modificar os nossos pensamentos, as nossas crenças ou as representações que fazemos de nós mesmos e do mundo».
Os textos que seleccionei para o calendário de 2016 são isto mesmo, uma reflexão sobre a vida, tentando compreender, tentando aceitar, tentando ajustar-me ao caminho, onde, pese embora a sua tonalidade muitas vezes sombria, a procura da felicidade está sempre subjacente.
Para alguns, para a maioria, a felicidade ilude-se com o barulho, com a confusão, com a multidão, com um contínuo movimento/acontecimento, e para estes nada do que se segue, provavelmente, fará sentido. Desde já assumo que não escrevo sobre a insustentável leveza do ser, não porque não saiba o que são momentos de absoluta clarividência, em que tudo surge com uma nitidez, uma frescura e uma leveza impressionantes, revelando-nos como de repente tudo se encaixa, e o mundo é então exactamente como é suposto ser, não porque não aprecie estes momentos, pelo contrário, são o que me anima e dá esperança, mas o que quero partilhar é o caminho até lá, com os mergulhos no escuro, as descobertas luminosas, os tropeções e as verdades inconvenientes.
Não trago nada de novo, cito e recrio o que outros me inspiraram ou, como diria Vasco Pinto de Magalhães, «mesmo sendo mais pequenos, se podemos ver mais longe é porque vamos às cavalitas dos que nos precederam».
Sobretudo gostaria que o que partilho fosse entendido como uma tentativa de pensar melhor, para viver melhor. As simple as that!
Bom Ano, e obrigada por me acompanhar!
Sem comentários:
Enviar um comentário