If you can
talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with
Kings - nor lose the common touch (…)
Rudyard
Kipling, If
Cada vez tenho menos paciência para festas, casamentos, cocktails,
vernissages, jantares com mais de uma dúzia de pessoas, conversas de
circunstância, alegrias forçadas, diálogos estereotipados e carnavais afins.
No entanto, cada vez gosto mais de conhecer pessoas, entabular conversas,
conhecer histórias de vida, trocar ideias, sobretudo com gente simples, que diz
o que pensa, sem intenções encapotadas, sem temer críticas, nem se preocupar em
causar sensação.
Na verdade, até gosto muito de pessoas, o que não suporto é o postiço e a
preocupação em fazer de conta que se é o que não se é: culto, inteligente,
informado, graduado, chique, bem nascido, por aí fora, e depois, noutras
esferas, menos lavadinhas, movem-se os pseudo:
intelectuais, artistas, radicais: igualmente aberrantes. Nada tenho contra
estes atributos, note-se, mas não há mais patético do que insistir em envergar
um estereótipo, sobretudo quando a roupinha não nos assenta, porque não nos
pertence, e nos apresenta mascarados. Nem em criança gostei do Carnaval!
Tudo isto se torna mais patético ainda pelo facto destes almejados
atributos não definirem, por si só, o valor pessoal. Cada um é o que é:
inteligente, artista, culto..., nem por isso, ou nada disto. Resulta de
características genéticas, do ambiente onde nasceu, da educação que teve, (pelo
qual nada fez e contra o qual pouco pode), mas o que o define, e faz de alguém
uma pessoa especial, digna de respeito e admiração, é a forma como geriu quer o
seu potencial à partida, quer sobretudo a sua vida, as alegrias e as tristezas,
a sorte e o azar, o destino que lhe coube.
O que procuro e valorizo cada vez mais em quem encontro é a autenticidade,
ter a frontalidade de assumir, naturalmente, o que se é em todas as
circunstâncias, mantendo total liberdade nas escolhas ou nos gostos,
independente e indiferente a etiquetas e opiniões pré-definidas. E, sobretudo,
procuro e valorizo o carácter, a sensatez, a boa disposição, a bondade, a
generosidade, que também posso encontrar em pessoas cultas, inteligentes, bem
nascidas, radicais etc., mas com muito mais probabilidades tenho encontrado em
pessoas humildes, genuínas e despretensiosas.
Março, Calendário Art Edit 2017


