quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ondas

Passei os verões da minha infância numa praia com um mar que inspirava respeito.
Nunca consegui dominar o medo que em mim despertava, e invejava os meus primos e tios que se lançavam mar adentro, sem hesitação, como se não houvesse amanhã.

Neste começo de ano que se vislumbra mais desafiante que nunca, perante a fúria com que as ondas rebentavam na costa, esta manhã veio-me à lembrança a sensação que misturava medo, orgulho, dever, que antecedia o momento em que seguia a tribo da família e, quanto mais não fosse para honrar os laços de sangue, mergulhava nas ondas. Não sem antes, consciente da desigualdade de forças, hesitar, avaliar, até finalmente me atrever. Difícil mesmo era entrar, vencer o medo e escolher o momento certo, já que ao mínimo erro de cálculo éramos arrastados num turbilhão infindável. Mas quando corria bem, e ultrapassávamos o purgatório, entrávamos no paraíso,  invadidos pelo prazer e o bem estar de flutuarmos na ondulação, e pela sensação de orgulho, por termos vencido, uma vez mais, o medo.

De uma forma alegórica continuamos pela vida fora a engolir temores e tremores para enfrentar ondas que nos desafiam e mares que nos podem devorar à mínima distração.
E o que nos faz ultrapassar a ansiedade, e soltar as amarrar da segurança para nos arriscarmos ao encontro do desconhecido, nem sempre parte da loucura que mais ou menos latente existe em todos nós, parte muito mais da consciencia de dever, ainda e também do prazer antecipado de nos superarmos nas nossas fragilidades e é sobretudo impulsinonado pela coragem.


Bom Ano!

onda

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Redescobrir!



A verdadeira viagem de descoberta consiste não na procura de novas paisagens, 
mas antes num novo olhar!

Marcel Proust

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Bênçãos

Bênçãos


Este foi um Natal diferente, adaptado às circunstâncias, que me levaram a abolir os tradicionais presentes. 
Dispensada da habitual provação de tentar equacionar um orçamento limitado com presentes que fizessem sentido e pudessem ainda por cima ser do agrado, respirei fundo e atravessei a quadra com uma ligeireza desconhecida e muito agradável. Abri uma exceção para a cozinha e empenhei-me em tartes, bolos, coockies e múltiplas queimadelas no forno.

No dia 24 estava uma manhã radiosa e preparei-me para visitas de cortesia e distribuição de doçarias. Enquanto me aprontava pensei que seria o meu primeiro Natal sem presentes. Sentiria a falta? Ensombrar-me-ia o dia? Quando saí deparei com uns lírios magníficos acabados de florir à minha porta, que irradiavam uma luminosidade mágica. Respirei a atmosfera e senti-a como uma bênção para o meu Natal, um presente inesperado, que me aqueceu a alma e me transmitiu a serenidade e a esperança que nenhum presente material me poderia dar. Mais adiante a caixa do correio anunciava conteúdo e de novo fui surpreendida com um presente inesperado. Ao longo do dia outras bênçãos foram chegando na forma de palavras, mimos, atenções... Para quem nada esperava, recebi imenso... e sobretudo compreendi como é fundamental o despojo, para livres de espectativas, nos tornarmos verdadeiramente receptivos, capazes de apreciar devidamente pequenos nadas, que na abundância passariam despercebidos e que, no entanto, são as melhores dádivas, e as mais autenticas bênçãos. 

sábado, 17 de dezembro de 2011

blog

A ideia de criar um blog tem alguns anos. Precisei de tempo para definir o que faria sentido. Para o estruturar em termos de forma e conteúdo.

Dispomos hoje de múltiplas possibilidades de expressão. As mais acessíveis, as redes sociais, são instrumentos eficazes para criar elos de ligação ou para passar um anúncio, mas nunca serão lugares de reflexão, mesmo quando sugerem uma reflexão. Para isso precisamos de um espaço mais estável, sem dispersão.

O blog pode funcionar como um memorando, registo de ideais avulso,  ou um prelúdio de qualquer coisa que se publica de forma mais perene.
É sempre uma alternativa viável na impossibilidade de outras formas de publicação.
Obriga a sintetizar ideias e a economizar palavras, uma disciplina que me agrada.
E sobretudo permite ter, eventualmente, algum feedback direto. Embora trabalhe essencialmente por mim e para mim, o prazer que tenho em sentir que a minha experiência pode inspirar ou sensibilizar outra pessoa é diretamente proporcional ao prazer que sinto quando qualquer outro me inspira e sensibiliza com as suas ideias.

Esta facilidade em partilhar o que nos toca, que permite uma sensação de pertença e de participação, tão genuinamente humana e desejada, é o melhor que o mundo virtual nos pode oferecer, e é a razão de ser deste percurso que inicio aqui e agora. O timing, sem querer, acabou por ser perfeito, corresponde ao fechar do ciclo de um ano e ao começo de um outro, que se pretende seja enriquecedor...



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