terça-feira, 23 de abril de 2013

The power of vulnerability


A vulnerabilidade, que nos torna indefesos perante a adversidade, é também o que nos torna permeáveis ao encantamento da vida.
Tropecei por acaso, no meio das milhentas informações com que as redes sociais nos bombardeiam, numa investigadora americana que dedicou doze anos de trabalho ao estudo das emoções negativas que todos conhecemos mas sobre as quais ninguém fala. Na sequência do seu trabalho, Brené Brown fez uma palestra subordinada ao tema The power of vulnerability gravada e divulgada no You Tube com um recorde de visionamentos.
A meu ver, o aspecto mais aliciante da internet é esta facilidade de nos conectarmos, de lançarmos ideias que outros, em qualquer parte do mundo que entendam a nossa língua, apanham, digerem e absorvem na sua própria experiência e, eventualmente, recriam e relançam no ar.

Crescemos e somos educados a esconder a nossa natural vulnerabilidade, a abafá-la sob sucessivas camadas que, com o tempo, nos revestem de uma carapaça que nos protege das intempéries, que nos cria uma aparente proteção contra o medo, a vergonha, a incerteza, a desilusão, o desgosto, contra tudo o que não queremos sentir, mas que nos assola, latente, mudo e quedo, no cerne de todos nós. Não queremos ser vulneráveis para não estarmos expostos a estas emoções, e é verdade que a vulnerabilidade é o centro das emoções difíceis, mas é também o berço de todas as emoções positivas que encantam a nossa vida: o amor, a pertença, a alegria, a gratidão e a empatia. Ao endurecermos para nos defendermos do que nos pode magoar, corremos o risco de nos tornarmos insensíveis ao que nos pode estimular.

Vivemos num mundo vulnerável, porventura a sociedade mais endividada, obesa, dependente e medicada da história da humanidade. Numa insatisfação transversal a classes sociais e a níveis etários.
Brené Brown justifica este descontentamento que procuramos compensar, justamente com a dificuldade em isolar as emoções negativas das emoções positivas. Ao abafarmos numa dormência forçada sensações que queremos evitar, e que nos tornam vulneráveis, neutralizamos também a nossa capacidade de sentir e vibrar com o que nos pode alegrar, daí resulta um mal-estar, uma insatisfação, que tentamos suprir com compras, alimentos, álcool, drogas, medicamentos, vícios ou dependências cujo prazer efémero não chega para dar sentido à vida, reforçando antes um ciclo de dependência e de infelicidade. Até mesmo a religião é muitas vezes utilizada como um vício e um escape, onde se escondem fragilidades e para onde se escoam frustrações.
Na raiz desta insegurança que leva as pessoas a fecharem-se sobre si próprias e a baixar uma cortina protetora sobre as suas emoções, está uma necessidade inconfessada de nos sentirmos integrados e aceites na nossa teia e o consequente medo/vergonha/presunção da rejeição, de não estarmos à altura do que se espera de nós, numa sociedade que por um lado nos dá um modelo absurdo de perfeccionismo assente em comparações – que não só tendem a controlar as nossas vidas como, pior ainda, controlam o que exigimos aos nossos filhos–, e por outro nos induz a tomar o incerto por certo, o que significa que em vez de nos focarmos no que temos e nos corre bem, atormentamo-nos com o que podemos perder ou nos pode correr mal.

Segundo Brené Brown constatou no seu estudo através de milhares de entrevistas, aqueles que se relacionam bem com a vida têm em comum um elevado sentimento de autoestima, que resulta quer da coragem de assumir a sua imperfeição, desistindo de ser quem achavam que deveriam ser, para poderem assumir o que que realmente são, quer da compaixão ou tolerância para com eles próprios e para com os demais.
A verdadeira empatia, aquela que ultrapassa as relações circunstanciais e superficiais, e se baseia na comunhão de emoções, é extremamente rara como todos constatamos. Numa cultura onde as pessoas têm medo de ser vulneráveis não é possível haver empatia. Para ir ao encontro do que os outros sentem e para abrir caminho para que os outros venham ao nosso encontro, temos de começar por baixar as armas, expondo as nossas emoções, correndo riscos, abrindo um trilho na incerteza, rompendo o filtro das aparências e requer alguma loucura ou pelo menos muita coragem.

A coragem para sair da teia, ficando na ribalta, expostos e indefesos, pode partir da crença de que o que nos faz sentir mais isolados é na verdade o que mais nos liga aos outros, porque é o que mais temos em comum: a insegurança, o medo, a vergonha: a vulnerabilidade. Haverá sempre quem desdenhe, quem nos olhe de cima ou de esguelha com sarcasmo, e esse, que toma essa atitude, é o mais vulnerável. Tão frágil que não admite a sua insegurança.
A minha experiência pessoal ensinou-me que às vezes é preciso sermos esmagados pelos acontecimentos e forçados à rendição para compreendermos que a nossa verdadeira força está na nossa vulnerabilidade, que revela as nossas imperfeições, as nossas limitações, mas também descobre as nossas qualidades e a nossa beleza. Que nos obriga a desistir de tentarmos controlar o que claramente está fora do nosso controlo. A cultivar um espírito persistente e resistente. A seguir a intuição e a confiar na fé. Compreendendo que a nossa autenticidade não só não nos isola, como é a forma mais forte de nos conectarmos. Libertando-nos de preocupações com aparências ou qualquer estereótipo. Alinhando posições, convicções, valores, mesmo que não haja garantias. Acreditando que não precisamos de ser mais do que aquilo que já somos.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Braveheart


Quando o dia chegou estava há muito anunciado, o que nem por isso minimizou a sua dificuldade.
Naquela manhã chuvosa e lamacenta, pouco falámos. Cada um tomou a coragem nas próprias mãos e fez o que era suposto fazer.
Tenho presente a chegada de uma camionete imensa e fisicamente sinistra, que me recordou as imagens de embarque do holocausto.
Tenho presente a segurança com que o criador juntou e completou presencialmente os últimos resenhos dos animais que viu nascer e crescer, que fizeram boa parte da sua vida e que agora encaminhava em plena pujança para a morte. Como sempre acontece, quando se trata de movimentar a manada, pediu silêncio e afastou toda a gente, única excepção aceite para o filho, que de qualquer modo se recusava a abandoná-lo. Quando terminou a sua parte virou costas, e com a mesma tranquilidade, sempre em silêncio, dirigiu-se para casa.
Agora era com o filho. De longe, apenas com a proximidade suficiente para que ele se apercebesse da minha presença, acompanhei a preparação, o embarque, e a complicadíssima acomodação (não sei se lhe poderei chamar assim) dos cavalos. Não conseguia ouvir o que diziam mas assistia a toda a agitação de cavalos e homens que parecia não terminar nunca. Braveheart corria para trás e para diante, para cima e para baixo, até finalmente «entalarem» o último animal, fecharem as portas e partirem. Depois acompanhou o transporte até ao seu destino, no outro extremo do país, cumprindo o compromisso que assumira com o pai de acompanhar pessoalmente o processo até ao fim. Um processo doloroso e esgotante, pontuado por absurdas burocracias, que se arrastou (desde a partida de casa até ao desfecho) por mais de trinta horas. Aguentou firme e sozinho todos os contratempos e só se afastou depois do calvário concluído.

Tudo isto quero um dia esquecer. Para recordar quero guardar esta prova de coragem e de amor. E há também um momento especial que não posso nem quero esquecer, quando de repente o céu cinzento se rasgou para descobrir o Sol, e no meio da desolação de um dos dias mais tristes das nossas vidas deparei com o brilho lilás de uma glicínia em flor sob a qual passava imponente um galo pedrês, sarapintado de preto e branco com uma crista escarlate, um quadro de uma beleza inesperada e redentora, tão contrastante com a devastação das nossas almas, que me fez entender como Deus nos segura quando a resistência chega ao seu limite.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Life is not measured by the number of breaths we take, but by the moments that take our breath away!


Toda a noite ouvi o mar em fúria chicotear a costa.
Por isso de manhã, assim que me libertei dos meus compromissos, e ignorando a ameaça dos aguaceiros que intercalavam com um tímido Sol, não resisti a envergar o impermeável para rumar à Boca do Inferno.
Vou percorrendo a costa e não resisto a parar exatamente na Boca do Inferno –nome sugestivo este, imagino que  atribuído num dia como o de hoje – um buraco que o mar escavou nas rochas, onde todos os remoinhos se concentram e confrontam para medir forças e ver quem salta mais alto. É uma visão fascinante. Hoje há redes para dissuadir tentações, mas ao longo dos tempos, muitos encontraram aqui a morte, por acidente ou atraídos pelo abismo. Conta-se que a própria rainha D.Maria Pia, amante destas paragens, ia morrendo afogada juntamente com os infantes, arrastados por uma onda quando contemplavam o espetáculo perto demais.
Continuo o passeio. Mais adiante um casal de estrangeiros ri incrédulo perante este fogo de artifício gratuito. O mar bate na costa, sobe a uma altura incrível e lança uma chuva que ultrapassa todas as distâncias de segurança para nos fustigar a cara. Felicidade suprema, saboreio o sal, e penso que um dia, quando isto e tanto mais forem só memórias mitigadas pelo tempo, esta proximidade do mar, em todos os seus humores, será o que mais falta me fará.
Enquanto observo o ciclo das ondas que se repete sem nunca ser igual, penso que me identifico ora com a água que descarrega a sua fúria e revolta contra quem se atravessa no seu caminho, ora com a rocha que, impotente, vai sendo sovada a intervalos regulares, que não lhe dão tréguas nem tempo para se recompor.
De regresso vejo ao longe o farol da Guia que o sol iluminou para me animar, e questiono-me, como tantas vezes ultimamente, se o segredo estará no apego ao que temos ou no despojo total apregoado por Buda. Tento mentalizar-me para o que me espera. Deixar que o mar devore as coisas que me acompanharam até aqui e de que sou forçada a abrir mão. Sei que do outro lado, eventualmente, encontrarei um lago sereno, ou pelo menos simplificado e aligeirado, mas para lá chegar tenho de ultrapassar a intempérie, que pressupõe um sem fim de escolhas e decisões difíceis, que vou tendo de assumir a sós, dia a dia.
O farol da Guia também faz parte do meu espólio, como a casa que o meu pai construiu perto dele, e que testemunhou mais de quarenta anos da minha vida. Devemos acarinhar as memórias ou seremos mais felizes se as conseguirmos ignorar? Concentrados apenas no presente, será possível?
Volto para casa retemperada. E porque a vida não se mede pela quantidade de inspirações que fazemos, mas pelos momentos que nos inspiram, o mais recente berbicacho de canalizações detectado pela enfermeira da minha mãe esta manhã vai ter de esperar, assim como a decisão se vale a pena continuar a investir na sua fisioterapia. Amanhã decidirei o que mando leiloar a seguir. Que se dane o problema do computador não aceder ao banco on-line. A decisão sobre o livros que vou manter e os que me vou desfazer pode esperar. Hoje não vou pensar na casa e nas coisas que dentro de algum tempo deixarão de ser. Não vou pensar nos animais que vimos nascer e dentro de dias seremos forçados a abater por se terem tornado insustentáveis.
Hoje, decidi, vou comprar freseas, típicas deste mês, que deixaram de ser espontâneas nesta Marinha que também já era, para me perfumarem o ambiente, e vou pintar, o que há muito não faço. Amanhã decidirei sobre o resto. 


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Recomeçar


Como membro de uma sociedade que valoriza o sucesso e todos os seus sinais exteriores, encorajando-nos a protagonizar feitos que atraiam a admiração do mundo, a exibir bons resultados e a esconder todo o indício de infortúnio como se de uma vergonha se tratasse, não seria de admirar algumas das reações de quem me conhece perante um grito de alma onde assumo a minha vulnerabilidade, no desalento e na esperança, no meu credo sem artifícios. Ao deixar o âmbito de segurança para me aventurar no desconhecido sabia que iria deixar para trás muitos «amigos», que não conseguiriam compreender e acompanhar, sem qualquer garantia de vir a conquistar outros.
Uma das mais devastadoras experiências que as crises económico-sociais nos proporcionam é a (re)descoberta das pessoas. Temos recursos inimagináveis para nos adaptarmos às circunstâncias. Recorrendo ao nosso arquivo de experiência vamos tirando coelhos da cartola na medida do que nos é imposto, mas nada nos prepara para as atitudes e reações desconcertantes de quem nos acompanhou em boa parte do caminho e que julgávamos conhecer.
Porventura em tempos de bonança vive-se de uma forma artificial e até mesmo hipócrita, seguindo tabelas e modelos de conduta, que os costumes e a razão aconselham. E é preciso que as pessoas se sintam encurraladas para revelarem a sua verdadeira natureza, interesses abafados, invejas disfarçadas, ressentimentos insuspeitados. Como se só então se descartassem todas as camadas de conveniência para se chegar ao osso, e o osso, o âmago,  por quanto possa ser difícil de aceitar nem sempre condiz com a imagem perceptível do exterior.
O altruísmo, a generosidade desinteressada, a gratidão e a compaixão são características muito mais raras do que alguma vez imaginámos. Não é difícil e fica sempre bem assumir determinadas posturas enquanto os interesses próprios não estão em causa, mas quando os interesses colidem, esquece-se a ética e ignoram-se os bons costumes, soltam-se garras encolhidas, e segura-se firmemente o ego. Isto é uma realidade que se aplica tanto às reações colectivas como individuais.

Há um ditado chinês que diz que para conhecermos os amigos temos de passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso avaliamos a quantidade e na desgraça a qualidade. Este período da minha vida tem sido tão duro quanto revelador e enriquecedor. Permitiu-me, entre outros, destrinçar o trigo do joio. Onde julgava encontrar trigo descobri algumas vezes joio e vice-versa também. E assim fui descartando suavemente o joio e valorizando o trigo. De alguns «amigos» senti a distância de quem subitamente compreende que já não fala a mesma língua, em compensação, e para minha surpresa, «from nowhere» surgiram vozes de apoio menos conhecidas ou mesmo desconhecidas, totalmente inesperadas, espontâneas e muito calorosas. O reverso da medalha, a sua contrapartida, o lado positivo que anima e transporta.

Retomando o fio da meada, o que nos arranca ao conforto e nos lança no incógnito é antes de mais o instinto de sobrevivência. Quando o barco pega fogo é o oceano, por quanto assustador se nos apresente, o nosso único escape possível. Significa que a estrutura que nos apoiou até aqui já não nos serve e que se impõe a mudança, que começa de fora para dentro e depois de digerida e reinventada acontece de dentro para fora, alterando parâmetros e diretrizes. Se paralelamente a voz da minha experiência puder ser o eco de outras experiências, que se sintam mais acompanhadas, reivindicadas e alentadas, o retorno alimentará a fonte fechando um círculo perfeito, feito do encontro de vozes anónimas unidas na partilha da luz e da sombra, a essência daquilo que somos.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

disorder


disorder


A folha em branco é sempre assustadora, qualquer que seja o meio com que me disponho a quebrar o seu alvor! Adio muitas vezes  a concretização de ideias só para evitar este primeiro embate, hélas, inevitável.
Vivemos tempos conturbados, de grande de desordem exterior e interior, que apelam à bagagem física e psíquica, à experiência, à coragem. Transversalmente todos se queixam, e relativamente todos se sentem atingidos, mas à minha volta, no círculo onde me movo, não vejo substanciais alterações nos hábitos e no modo de vida. Com mais ou menos queixas, no essencial mantêm o seu normal desafogo. Na minha vida, porém, uma viragem de 180º pôs-me de cabeça para baixo, em menos de três anos. A educação e a experiência preparam-me para qualquer cenário. Arregaço as mangas e vou à luta. Escavo e encontro dentro de mim reservas que me ajudam a manter-me à superfície, a reequilibrar-me depois de cada novo encontrão. Mas é um equilíbrio precário, que não se compadece com superficiais convívios sociais. Dispenso a compaixão, gostaria apenas que não me convidassem, que respeitassem o isolamento que me permite sobreviver psiquicamente, sem contudo ofender velhas amizades. Não se tratará nunca de inveja ou despeito, simplesmente deixei de pertencer ao meio onde sempre vivi. E quando forçada ao convívio sinto-me deslocada, fora do baralho, o que me remete ao silêncio ou a uma participação artificial, com recurso a uma energia que não posso desperdiçar. Sinto falta da partilha de experiências, que  faz parte do encanto da vida, mas noutro meio, noutro bando, porque este já não fala a minha língua, não trilha a minha estrada, nem reflete os meus problemas, não consegue compreender-me e por conseguinte não me transmite qualquer ânimo. O círculo de amigos faz-se ao longo de anos, o que nos une são caminhos comuns, mas quando estes divergem não é possível forçar reencontros, não é possível espelhar a nossa experiência nos outros, nem tão pouco improvisar novas relações. A única alternativa saudável é refugiar-me nos mais chegados, nos que me dispensem explicações, nos meus bichos, no meu jardim, nos meus livros, na música e, esporadicamente, numa folha em branco.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

memories and dreams!


You know you’ve reached middle age when your memories are stronger than your dreams!

Detestei fazer quarenta anos. Odiei chegar aos cinquenta. Curiosamente, avanço com uma insuspeitada tranquilidade e bonomia para os sessenta. Não porque tenha tido a vida, pessoal e profissional, que idealizei. Não porque me sinta verdadeiramente realizada. Não porque esteja disposta a sentar-me sobre a montanha que mal ou bem construi, e a contemplar passivamente o que ficou para trás. É verdade que as memórias ocupam já um enorme espaço no que penso e no que sinto. Todos aqueles, cada vez são mais, que cruzei, que me deixaram um pouco de si, e que não mais encontrarei, mais os que circunstancialmente fizeram parte de um período da minha vida para se evaporarem como miragens. Mas continuo a sonhar, e a acreditar que o melhor, o meu melhor, está ainda para vir. As pessoas, de um modo geral, desencantaram-me e desencantam-me vezes de mais, mas há mais vida para além dos desencontros.
Tendemos a existir por comparação com os outros, mas só existimos verdadeiramente quando compreendemos e aceitamos o que de mais profundo existe em cada um de nós, independentemente do mundo à nossa volta. E este reconhecimento desencadeia um despertar da consciência que se traduz num novo olhar, numa nova postura.

A insustentável leveza com que dobro mais uma década está enraizada numa aceitação honesta daquilo que sou. Hoje, aqui e agora. Não o que já fui. Não o que gostaria de ter sido. Não o que os outros porventura gostariam e esperariam que fosse. Mas o que realmente sou. Este assumir das nossas fraquezas, limitações, aspirações, transformações, exige coragem e tenacidade, mas traduz-se numa serenidade e confiança sem precedentes, que me dá uma redobrada força para enfrentar, sob nova perspetiva, as adversidades que não posso controlar e que insistem em vir ao meu encontro.

Depois de anos de noites atormentadas por problemas que não dependiam de mim, que ludibriava durante o dia, e me cercavam e asfixiavam no momento em que apagava a luz, começo finalmente a conseguir a fechar o ciclo de mais um dia procurando e concentrando-me num aspecto agradável e positivo que esse dia me tenha proporcionado. Pode parecer básico, mas não é. Nada mas difícil do que controlar o pensamento. São anos de treino e persistência. A milenar sabedoria oriental que o diga!