sábado, 12 de maio de 2012

All one






Quando o cerco aperta reagimos de forma muito semelhante aos animais. Tendemos a isolarmo-nos na nossa ilha. Perdidos no espaço e no tempo, ao sabor do que nos espera.
À nossa volta gravitam problemas. Os mais complicados de gerir são os que nos tocam por «afinidade» não são nossos, mas são dos nossos, e deixam-nos impotentes. Não podemos vestir a pele do outro. Assumir a sua aflição. Vencer os seus temores ou terrores. Prever a sua reacção. Controlar o seu desfecho. Na passividade do único papel que nos é consentido, ser e estar, aqui, sempre, vivemos com redobrada inquietação qualquer mudança de vento, qualquer alteração no mar. Com os sentidos à flor da pele, num alerta constante e esgotante. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Maurice Sendak
Um dos maiores ilustradores de sempre. Que utilizava um mínimo de recursos materiais, zero de efeitos especias, e o máximo de talento. Foi sempre uma grande referência para mim. Morreu hoje aos 83 anos.

domingo, 25 de março de 2012

grieving

I am too alone in the world
And not alone enough
To make every moment holy.

Rainer Maria Rilke

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Células do coração




Se colocar duas células do coração vivas, de duas pessoas diferentes, numa placa de Petri, ao fim de algum tempo elas encontram e mantêm um terceiro batimento comum.
                                                 Molly Vass in Mark Nepo, The Book of Awakening


Este facto biológico está na origem de todos os relacionamentos. É a força impulsionadora que nos aproxima de estranhos, que nos leva a vencer hesitações para os abordar, que nos dá coragem para fazer ouvir a nossa voz, que nos incute curiosidade para ouvir a voz do outro, que nos dá humildade e sabedoria para nos moldarmos o suficiente para podermos pulsar em uníssono, com os outros… e com a vida!

EMPATIA






                                             Molly Vass in Mark Nepo, The Book of Awakening

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Unidade na diversidade

Passamos grande parte da nossa vida procurando e reforçando o que nos distingue dos outros, construindo o nosso lugar no mundo. Tarde ou nunca descobrimos um dia que muito mais importante do que o que nos separa é aquilo que nos une, a nossa origem comum, o cerne da vida para onde todos convergimos, único capaz de nos transmitir um tão necessário sentimento de pertença, que nos dá paz e nos torna íntegros.

Somos os galhos de uma árvore frondosa, singulares e únicos na nossa forma, mas profundamente iguais no mais íntimo do nosso ser. Qualquer que seja a forma como nos apresentamos e como nos movemos no mundo, para lá do que é visível, nos mais básicos sentimentos de alegria, tristeza, ilusão, desilusão, de aflição ou de medo, não somos diferentes, apenas divergimos no modo como os exprimimos, na voz que lhes damos e que depende da nossa sensibilidade, da nossa experiência e da cultura em que fomos educados.

Tal como os troncos da árvore, ao longo do nosso percurso vamos desenvolvendo afinidades, algumas são afinidades de sangue e resultam da derivação natural dos ramos, outras são afinidades de educação e cultura, outras ainda serão resultado de encontros casuais, temporários ou duradouros. No geral estabelecemos tipos de relacionamento diferentes, que em conjunto constituem o tecido da nossa vida.

Paradoxalmente, quanto mais compreendemos o que nos liga a todos e a tudo o que tem vida, quanto mais diluídos e integrados, mais especiais e diferentes nos sentiremos. A unidade na diversidade, que é uma das leis básicas da natureza, também nos rege a nós, mas para nos assumirmos e validarmos na nossa diversidade, temos antes de humildemente reconhecer o nosso ínfimo lugar no que nos une.

Durante os meus passeios, no campo ou à beira-mar, o calor do sol, o vento gélido, o canto dos pássaros, a luminosidade da atmosfera, as cores, as vozes e os cheiros da natureza, falam-me ao coração e tocam-me a alma, e o bem-estar que me proporcionam resulta desta ligação direta ao centro da vida, às minhas raízes, e da consequente sensação de pertença, de reencontro comigo mesma e com o meu lugar.  

Unidade na diversidade