terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Células do coração




Se colocar duas células do coração vivas, de duas pessoas diferentes, numa placa de Petri, ao fim de algum tempo elas encontram e mantêm um terceiro batimento comum.
                                                 Molly Vass in Mark Nepo, The Book of Awakening


Este facto biológico está na origem de todos os relacionamentos. É a força impulsionadora que nos aproxima de estranhos, que nos leva a vencer hesitações para os abordar, que nos dá coragem para fazer ouvir a nossa voz, que nos incute curiosidade para ouvir a voz do outro, que nos dá humildade e sabedoria para nos moldarmos o suficiente para podermos pulsar em uníssono, com os outros… e com a vida!

EMPATIA






                                             Molly Vass in Mark Nepo, The Book of Awakening

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Unidade na diversidade

Passamos grande parte da nossa vida procurando e reforçando o que nos distingue dos outros, construindo o nosso lugar no mundo. Tarde ou nunca descobrimos um dia que muito mais importante do que o que nos separa é aquilo que nos une, a nossa origem comum, o cerne da vida para onde todos convergimos, único capaz de nos transmitir um tão necessário sentimento de pertença, que nos dá paz e nos torna íntegros.

Somos os galhos de uma árvore frondosa, singulares e únicos na nossa forma, mas profundamente iguais no mais íntimo do nosso ser. Qualquer que seja a forma como nos apresentamos e como nos movemos no mundo, para lá do que é visível, nos mais básicos sentimentos de alegria, tristeza, ilusão, desilusão, de aflição ou de medo, não somos diferentes, apenas divergimos no modo como os exprimimos, na voz que lhes damos e que depende da nossa sensibilidade, da nossa experiência e da cultura em que fomos educados.

Tal como os troncos da árvore, ao longo do nosso percurso vamos desenvolvendo afinidades, algumas são afinidades de sangue e resultam da derivação natural dos ramos, outras são afinidades de educação e cultura, outras ainda serão resultado de encontros casuais, temporários ou duradouros. No geral estabelecemos tipos de relacionamento diferentes, que em conjunto constituem o tecido da nossa vida.

Paradoxalmente, quanto mais compreendemos o que nos liga a todos e a tudo o que tem vida, quanto mais diluídos e integrados, mais especiais e diferentes nos sentiremos. A unidade na diversidade, que é uma das leis básicas da natureza, também nos rege a nós, mas para nos assumirmos e validarmos na nossa diversidade, temos antes de humildemente reconhecer o nosso ínfimo lugar no que nos une.

Durante os meus passeios, no campo ou à beira-mar, o calor do sol, o vento gélido, o canto dos pássaros, a luminosidade da atmosfera, as cores, as vozes e os cheiros da natureza, falam-me ao coração e tocam-me a alma, e o bem-estar que me proporcionam resulta desta ligação direta ao centro da vida, às minhas raízes, e da consequente sensação de pertença, de reencontro comigo mesma e com o meu lugar.  

Unidade na diversidade

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ondas

Passei os verões da minha infância numa praia com um mar que inspirava respeito.
Nunca consegui dominar o medo que em mim despertava, e invejava os meus primos e tios que se lançavam mar adentro, sem hesitação, como se não houvesse amanhã.

Neste começo de ano que se vislumbra mais desafiante que nunca, perante a fúria com que as ondas rebentavam na costa, esta manhã veio-me à lembrança a sensação que misturava medo, orgulho, dever, que antecedia o momento em que seguia a tribo da família e, quanto mais não fosse para honrar os laços de sangue, mergulhava nas ondas. Não sem antes, consciente da desigualdade de forças, hesitar, avaliar, até finalmente me atrever. Difícil mesmo era entrar, vencer o medo e escolher o momento certo, já que ao mínimo erro de cálculo éramos arrastados num turbilhão infindável. Mas quando corria bem, e ultrapassávamos o purgatório, entrávamos no paraíso,  invadidos pelo prazer e o bem estar de flutuarmos na ondulação, e pela sensação de orgulho, por termos vencido, uma vez mais, o medo.

De uma forma alegórica continuamos pela vida fora a engolir temores e tremores para enfrentar ondas que nos desafiam e mares que nos podem devorar à mínima distração.
E o que nos faz ultrapassar a ansiedade, e soltar as amarrar da segurança para nos arriscarmos ao encontro do desconhecido, nem sempre parte da loucura que mais ou menos latente existe em todos nós, parte muito mais da consciencia de dever, ainda e também do prazer antecipado de nos superarmos nas nossas fragilidades e é sobretudo impulsinonado pela coragem.


Bom Ano!

onda

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Redescobrir!



A verdadeira viagem de descoberta consiste não na procura de novas paisagens, 
mas antes num novo olhar!

Marcel Proust