sexta-feira, 13 de julho de 2012

memories and dreams!


You know you’ve reached middle age when your memories are stronger than your dreams!

Detestei fazer quarenta anos. Odiei chegar aos cinquenta. Curiosamente, avanço com uma insuspeitada tranquilidade e bonomia para os sessenta. Não porque tenha tido a vida, pessoal e profissional, que idealizei. Não porque me sinta verdadeiramente realizada. Não porque esteja disposta a sentar-me sobre a montanha que mal ou bem construi, e a contemplar passivamente o que ficou para trás. É verdade que as memórias ocupam já um enorme espaço no que penso e no que sinto. Todos aqueles, cada vez são mais, que cruzei, que me deixaram um pouco de si, e que não mais encontrarei, mais os que circunstancialmente fizeram parte de um período da minha vida para se evaporarem como miragens. Mas continuo a sonhar, e a acreditar que o melhor, o meu melhor, está ainda para vir. As pessoas, de um modo geral, desencantaram-me e desencantam-me vezes de mais, mas há mais vida para além dos desencontros.
Tendemos a existir por comparação com os outros, mas só existimos verdadeiramente quando compreendemos e aceitamos o que de mais profundo existe em cada um de nós, independentemente do mundo à nossa volta. E este reconhecimento desencadeia um despertar da consciência que se traduz num novo olhar, numa nova postura.

A insustentável leveza com que dobro mais uma década está enraizada numa aceitação honesta daquilo que sou. Hoje, aqui e agora. Não o que já fui. Não o que gostaria de ter sido. Não o que os outros porventura gostariam e esperariam que fosse. Mas o que realmente sou. Este assumir das nossas fraquezas, limitações, aspirações, transformações, exige coragem e tenacidade, mas traduz-se numa serenidade e confiança sem precedentes, que me dá uma redobrada força para enfrentar, sob nova perspetiva, as adversidades que não posso controlar e que insistem em vir ao meu encontro.

Depois de anos de noites atormentadas por problemas que não dependiam de mim, que ludibriava durante o dia, e me cercavam e asfixiavam no momento em que apagava a luz, começo finalmente a conseguir a fechar o ciclo de mais um dia procurando e concentrando-me num aspecto agradável e positivo que esse dia me tenha proporcionado. Pode parecer básico, mas não é. Nada mas difícil do que controlar o pensamento. São anos de treino e persistência. A milenar sabedoria oriental que o diga!  

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