quinta-feira, 17 de maio de 2012
small is beautiful!
Tenho-me lembrado ultimamente do livro
Small is Beautiful que causou grande controversa no início dos anos 70, quando
foi publicado. Trata-se de um ensaio de um economista britânico, Schumacher,
que critica a abordagem do mundo ocidental face à crise de energia que dava
então os seus primeiros sinais, e ao emergente conceito de globalização.
É um livro profético, e o meu pai, que
também era um visionário, descobriu-o numa das suas viagens de trabalho e
tornou-se um acérrimo defensor das suas ideias.
Defende-se, por exemplo, que há uma escala
adequada para cada actividade; que o crescimento nem sempre é positivo; que maior
não significa necessariamente melhor; e que o PIB, o crescimento e o consumo, não
deveriam ser a referência do nosso bem-estar, em vez disso deveríamos trabalhar
para obter o máximo bem-estar com o mínimo de consumo. Estávamos em 1973!
Vem-me a recordação do livro a propósito
de profissionais em diferentes áreas que se tornaram excelentes no seu trabalho
e depois diluíram a sua habilidade, inata e adquirida, na ambição e expansão,
deitando a perder o seu valor. Cerca de 40 anos depois, prevalece a ideia
absurda de que quem é bom e atingiu determinado estatuto, tem de expandir o seu
negócio, e quanto mais «crescer» melhor. Esquecemo-nos de que como humanos que
somos procuramos outros humanos com quem estabelecemos empatia e relações de
confiança. E por muito que se possa tentar dar formação e transmitir o know-how
há toda uma série de características pessoais que nos tornam únicos e não são
transmissíveis. Até a receita de cozinha, por quanto possa ser rigorosa, muitas
vezes não resulta igual, porque o resultado que a torna especial, são todos os
ingredientes quantificados mais um toque de amor ou inspiração. Quando contrato
os serviços de um dentista, de um veterinário, de uma professora de Pilates,
faço uma escolha objectiva, é naquela pessoa que confio, e não numa instituição
onde me apresentam os serviços de alguém, com quem posso ou não simpatizar, mas
sobretudo que não escolhi.
Nem tudo é passível de crescer para além
do que se consegue controlar e assumir pessoalmente, e a ambição facilmente
leva a fugas em frente rumo ao precipício.
O meu sentimento de saturação em
relação a um mundo que se tornou estereotipado, vazio de alma e de inspiração,
será, acredito, cada vez mais um sentimento global. Vamos sentir cada vez mais
a falta do que é especial, único, porque como seres especiais e únicos que
somos, só aí nos conseguiremos rever.
Quantos anos precisaremos até compreender
que small is beautiful?
sábado, 12 de maio de 2012
All one
Quando o cerco
aperta reagimos de forma muito semelhante aos animais. Tendemos a isolarmo-nos
na nossa ilha. Perdidos no espaço e no tempo, ao sabor do que nos espera.
À nossa volta
gravitam problemas. Os mais complicados de gerir são os que nos tocam por «afinidade»
não são nossos, mas são dos nossos, e deixam-nos impotentes. Não podemos vestir
a pele do outro. Assumir a sua aflição. Vencer os seus temores ou terrores. Prever
a sua reacção. Controlar o seu desfecho. Na passividade do único papel que nos
é consentido, ser e estar, aqui, sempre, vivemos com redobrada inquietação qualquer
mudança de vento, qualquer alteração no mar. Com os sentidos à flor da pele,
num alerta constante e esgotante.
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