quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ondas

Passei os verões da minha infância numa praia com um mar que inspirava respeito.
Nunca consegui dominar o medo que em mim despertava, e invejava os meus primos e tios que se lançavam mar adentro, sem hesitação, como se não houvesse amanhã.

Neste começo de ano que se vislumbra mais desafiante que nunca, perante a fúria com que as ondas rebentavam na costa, esta manhã veio-me à lembrança a sensação que misturava medo, orgulho, dever, que antecedia o momento em que seguia a tribo da família e, quanto mais não fosse para honrar os laços de sangue, mergulhava nas ondas. Não sem antes, consciente da desigualdade de forças, hesitar, avaliar, até finalmente me atrever. Difícil mesmo era entrar, vencer o medo e escolher o momento certo, já que ao mínimo erro de cálculo éramos arrastados num turbilhão infindável. Mas quando corria bem, e ultrapassávamos o purgatório, entrávamos no paraíso,  invadidos pelo prazer e o bem estar de flutuarmos na ondulação, e pela sensação de orgulho, por termos vencido, uma vez mais, o medo.

De uma forma alegórica continuamos pela vida fora a engolir temores e tremores para enfrentar ondas que nos desafiam e mares que nos podem devorar à mínima distração.
E o que nos faz ultrapassar a ansiedade, e soltar as amarrar da segurança para nos arriscarmos ao encontro do desconhecido, nem sempre parte da loucura que mais ou menos latente existe em todos nós, parte muito mais da consciencia de dever, ainda e também do prazer antecipado de nos superarmos nas nossas fragilidades e é sobretudo impulsinonado pela coragem.


Bom Ano!

onda

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Redescobrir!



A verdadeira viagem de descoberta consiste não na procura de novas paisagens, 
mas antes num novo olhar!

Marcel Proust