domingo, 4 de dezembro de 2011

Maternidade

They come through you, yet they don't belong to you...


Trazemos filhos ao mundo; embalamos-lhes o sono; deslumbramo-nos com as primeiras palavras; amparamos-lhes os primeiros passos; consolamos-lhes os desgostos; vibramos com as suas alegrias; acalmamos os seus pesadelos; guiamos os primeiros estudos; ajudamos a tecer as primeiras asas e ensinamos a voar.

Começam com voos curtinhos, ainda sob a nossa vigilância, depois um dia partem num voo longo e definitivo deixando-nos um vazio e uma tristeza inexplicáveis.

Alguns voarão sempre baixinho, sem sobressaltos. Outros escolhem desafios impossíveis, sempre mais longe, mais alto, em audaciosas acrobacias, que nós acompanhamos, impotentes, à distância, vendo-os cair sem lhes podermos amparar as quedas, sangrar sem lhes podermos lamber as feridas, vendo-os erguerem-se magoados, para se lançarem de novo no vazio incógnito do destino.

Os seus voos mantém-nos permanentemente suspensas, num alerta constante, e traçam no nosso coração um rasto onde se alterna júbilo por tudo o que fizemos, mágoa pelo que não devíamos ter feito e orgulho pelo que eles fizeram por eles mesmos.





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