Este foi um Natal diferente, adaptado às circunstâncias, que me levaram a abolir os tradicionais presentes.
Dispensada da habitual provação de tentar equacionar um orçamento limitado com presentes que fizessem sentido e pudessem ainda por cima ser do agrado, respirei fundo e atravessei a quadra com uma ligeireza desconhecida e muito agradável. Abri uma exceção para a cozinha e empenhei-me em tartes, bolos, coockies e múltiplas queimadelas no forno.
No dia 24 estava uma manhã radiosa e preparei-me para visitas de cortesia e distribuição de doçarias. Enquanto me aprontava pensei que seria o meu primeiro Natal sem presentes. Sentiria a falta? Ensombrar-me-ia o dia? Quando saí deparei com uns lírios magníficos acabados de florir à minha porta, que irradiavam uma luminosidade mágica. Respirei a atmosfera e senti-a como uma bênção para o meu Natal, um presente inesperado, que me aqueceu a alma e me transmitiu a serenidade e a esperança que nenhum presente material me poderia dar. Mais adiante a caixa do correio anunciava conteúdo e de novo fui surpreendida com um presente inesperado. Ao longo do dia outras bênçãos foram chegando na forma de palavras, mimos, atenções... Para quem nada esperava, recebi imenso... e sobretudo compreendi como é fundamental o despojo, para livres de espectativas, nos tornarmos verdadeiramente receptivos, capazes de apreciar devidamente pequenos nadas, que na abundância passariam despercebidos e que, no entanto, são as melhores dádivas, e as mais autenticas bênçãos.
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